Antes que eu comece a cuspir letras: esse texto falaria especificamente de surf music, mas preferi focar em bandas australianas. Por um simples motivo: no que se convencionou chamar surf music há alguma coisa de outros países (especialmente Inglaterra), e nem todas as bandas australianas podem ser consideradas surf music
Já falei bastante por aqui de música brasileira, e alguma coisa de rock inglês, que são duas das minhas paixões musicais. E também são amplamente difundidas nas rádios, nas lojas e nos palcos. Já as bandas australianas de rock/pop, apesar de alguns grandes nomes, ainda conta com poucos e abnegados fãs, se comparados a de outros estilos, certo? ERRADO!
As bandas de surf music, pode até ser. Termo curioso, criado aqui no Brasil pra agrupar as bandas cujas músicas tocavam sempre nos campeonatos de surfe. Dentre elas, muitas australianas: Men at Work, Hoodoo Gurus, Vs. Spy vs. Spy, Australian Crawl, Midnight Oil, entre outras. Mas também tocavam algumas do Smiths, por exemplo. Tanto que a abertura do programa Realce (ícone da década de 80, feito por surfistas e skatistas, que passava todo sábado na TV Record) usava a música “Girl Afraid“, do Smiths. Nessa época, tínhamos uma rádio aqui no Rio com a proposta de tocar música alternativa, bandas novas, etc – a Fluminense FM (vulgo ‘A Maldita’). E obviamente, a Maldita dava continuidade ao movimento e tocava muita coisa legal de surf music na programação.
Da safra de bandas australianas de surf music, minha predileta sempre foi Midnight Oil. Diz-se que fazem um rock “árido”, mas eu particularmente nunca entendi muito bem esse rótulo. Pra mim, fazem um rock mais basicão, com destaque pra algumas músicas feitas com gaita, como a famosa “Blue sky mine“. A música mais famosa dos Oils aqui é com certeza “The dead heart“, calcada em acordes de violões acompanhados de um inconfundível Tchu-ru, tchu-ru, tchu-ru-ru. Outro detalhe importante dessa música que é marca registrada dos Oils: o engajamento político. Muitas letras pregam a defesa dos aborígenes australianos, ou falam de questões ecológicas. Eles inclusive são vistos como ecologistas radicais. Tanto que o término da banda foi precipitado pela carreira política do vocalista Peter Garrett, que hoje é o Ministro do Meio Ambiente na Austrália.
Mas como eu disse no início do post (ps: Amélia ainda me deve a explicação do porquê chama os posts de postes), o cenário musical australiano não é feito só de surf music. Como falar de bandas australianas sem falar de AC/DC? Impossível! Formada ainda na década de 70, é considerada como uma das precursoras do hard rock / heavy metal como conhecemos hoje. Vieram pela 1ª vez ao Brasil no Rock in Rio I, e tem um grupo fiel de fãs de todas as idades. Agora estão voltando a ficar em evidência por conta da trilha sonora do filme Homem de Ferro 2. Destaque para as músicas “Highway to hell“, “You shook me all night long” e “Back in black“. São marcas registradas da banda os passos com o pé pro alto ao longo do palco do guitarrista Angus Young e o vocal esganiçado de Brian Johnson. Eu particularmente adoro uma frase deles, título de um álbum: “For those about to rock, we salute you”.
Na cena pop, a Austrália nos deu o inesquecível INXS (pronuncia-se In Excess), cujos hits embalaram muitas festinhas nos anos 80. Antes denominados The Farriss Brothers, o INXS já foi rotulado como banda new wave e banda rock, mas o apelo pop das músicas é inconfundível. Destaque para “Need you tonight“, “New sensation“, “Beautiful girl” e o maior sucesso deles, “Never tear us apart“, que aqui fez parte de trilha sonora de novela (se não me engano, “Barriga de aluguel“, de meados da década de 80). Tem uma parceria interessante com Ray Charles que tocou bastante na MTV no início da década de 90 chamada “Please (you got that…)“. Chegaram a se separar em 1993, mas quando se preparavam pra voltar 4 anos depois, o vocalista Michael Hutchence foi encontrado morto num quarto de hotel. Depois disso, a banda teve vários vocalistas convidados até realizarem um reality show em 2005 para a escolha do definitivo, o canadense J. D. Fortune.
Além de todas essas (e do Silverchair, do qual eu só conheço 2 ou 3 músicas), a cena australiana fervilha de novas bandas de todos os estilos, desde os aborígenes do Yothu Yindi até grupos mais melosos como Savage Garden, Crowded House e Air Supply. O ponto alto da música australiana (e também neozelandesa) é o festival Big Day Out, que acontece todos os anos no mês de janeiro em várias cidades dos dois países. Um dia, quem sabe, eu vou em um desses

MJ começou sua carreira quando era bem moleque, como integrante do grupo Jackson 5, junto de seus irmãos e sob a mão severa do pai (para não entrar nos detalhes sórdidos). Em pouco tempo ele se tornou a estrela do grupo e, em parceria com o produtor Quincy Jones (com quem trabalhou nas filmagens de uma versão black anos 70 de ‘O mágico de Oz‘), MJ se tornou o grande astro do pop mundial. O ponto alto de sua carreira é o álbum “Thriller“, um grande fenômeno da cultura pop, que tem números impressionantes: considerado o álbum mais vendido de todos os tempos (109 milhões de cópias), tendo permanecido no Top10 da Billboard durante 80 semanas e com 7 de suas 9 músicas no Top10 de singles. Entre elas, as clássicas “Billie Jean” e “Beat it“.
Além disso, as músicas de “Thriller” trouxeram outra grande contribuição para a cultura pop mundial: as coreografias. Com a grande disseminação dos videoclipes por conta da MTV, Michael se esmerou em fazer de cada clipe um grande show de dança, cores e efeitos especiais. Que o diga o clipe da música título, dirigido por John Landis e com cerca de 13 minutos de duração. Na minha humilde opinião, ainda é o melhor videoclipe de todos os tempos. Dentre os inúmeros passos coreografados, a marca registrada de MJ: o moonwalk. Tão famoso e característico que serviu de mote para o longa metragem estrelado por Michael: “Moonwalker“, que combina cenas de shows com um arremedo de história Sci-Fi
Daí em diante, apesar de alguns bons trabalhos aqui e ali, MJ começou a figurar na imprensa mundial mais por seus escândalos do que por seu talento na música e na dança. Começando pelo acidente ao gravar um comercial para a Pepsi, onde sofreu queimaduras de 2º grau, e passando pelo seu branqueamento (atribuído a uma combinação de doenças de pele), Michael dava a clara impressão de grande instabilidade emocional. Uma pena, pois as acusações de pedofilia e algumas desastrosas aparições públicas polêmicas ganharam maior projeção do que as virtudes dos álbuns “Bad” e “Dangerous“.
Formada no início dos anos 80, seus integrantes faziam parte da cena punk rock da periferia paulista. O nome, uma homenagem ao exército republicano irlandês, não tendo nada a ver com o pecado capital. Começaram bem na primeira metade dos anos 80, mas depois seguiram com altos e baixos. Seguiram aos trancos e barrancos durante a década de 90, até serem chamados para o acústico MTV e para o disco “Isto é amor“, cheia de bons covers e algumas parceiras (destaque para “Girassol da cor do seu cabelo” e “Telefone“, originalmente gravada pelo Gang90, tocada pela banda em parceria com Fernanda Takai). Da obra da banda, além das já citadas, destaco também “Núcleo base”, “Tarde vazia” e a deliciosa “O girassol” (em especial o trecho “você é meu sol / 1,65m de sol“, que me fez ter um olhar diferente para as mais baixas)
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