Letra da semana

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Karma Chameleon” – Culture Club

Retomando uma brincadeirinha que eu costumava fazer aqui há algum tempo (maiores detalhes aqui ou lendo a categoria ‘Letra da semana’). Era pra ser semanal, começou a virar mensal, e… whatever, lá vamos nós.

Apesar das poucas músicas com a letra K (pelo menos dentre as que eu gosto), tive uma certa dificuldade em escolher essa aqui. Depois de escrever um pequeno tratado de música australiana, eu estava seriamente inclinado a ficar com “King of the mountain”, do Midnight Oil. Mas como ignorar o apelo pop e a importância histórica dessa pérola do Culture Club?

Karma Chameleon é com certeza a música mais conhecida da banda inglesa Culture Club, liderada pelo sempre andrógino Boy George. A música começa com um inconfundível riff de gaita e tem uma levada new wave alegre e gostosa de ouvir, acompanhada de backing vocals em alguns trechos. Lançada em 1983, ficou 3 semanas na liderança do ranking da Billboard americana, quando deu lugar para outro grande hit dos anos 80, “Jump” (Van Halen). Figurinha fácil em coletâneas de sucessos dos anos 80, e nas minhas playlists também ;)

Just like Heaven” – The Cure

Quem acompanha essa série esperava algo diferente? Maria com certeza não. :) Uma das minhas prediletas do Cure, e presente na maioria dos meus playlists (seja de corrida, seja de viagem, seja de pensar na vida).

Melodia contagiante que começa só com baixo e bateria, depois agrega guitarra base, depois guitarra solo e por último teclados, fazendo um efeito bem interessante. Especialmente pra quem curte o papel de cada instrumento na música (meu caso). A letra é leve, falando das sutilezas da relação entre duas pessoas que se amam. Escrita pelo vocalista e líder da banda Robert Smith, foi inspirada numa viagem de férias com sua então namorada (atual esposa) para uma praia no sul da Inglaterra.

It ain’t over ’till it’s over” – Lenny Kravitz

Fiquei um bom tempo sem seguir essa brincadeira que eu criei. Parei um tempo pra pensar nas músicas começadas por I, vi muitas que gosto, mas ainda não tinha dado aquele estalo pra escrever. Estava quaaaase escrevendo sobre outra do The Cure (com certeza a “In-between days”, Maria).

Só que nas redes sociais que participo (mais especificamente no twitter e no blip) andou rolando papos interessantes falando de músicas de fossa e os tropeços que passamos até cair na mais pura dor de cotovelo. Pensando nisso passei no blog do Doug e o assunto era exatamente esse! Na hora de comentar, me veio à mente essa música do Lenny Kravitz, que além de entrar no assunto é uma delícia de ouvir.

A letra não tem os versos rebuscados do R.E.M. (que eu me amarro), nem o romantismo cafajeste de Axl Rose no Guns, nem a verve adolescente das letras antigas do Smiths. É pá-pum, direto ao assunto. Vejam:

So many tears I’ve cried
So much pain inside
But baby it ain’t over ’till it’s over

So many years we’ve tried
To keep our love alive
But baby it ain’t over ’till it’s over

Perfeito, não acham? Quem não teve um pensamento desses no embate de um relacionamento que atire o primeiro CD

Have you ever seen the rain” – Creedence Clearwater Revival

Uma das músicas mais tocadas e regravadas dos anos 70. Melodia simples e letra marcante, que já suscitou várias interpretações por parte dos fãs desta bela música. Uma das mais famosas fala que é uma alusão à guerra do Vietnã, falando da chuva de bombas. No entanto, John Fogerty (autor da música) esclarece que a letra reflete o momento tenso pelo qual a banda passava na época, que culminou na saída de Tom Fogerty da banda em 1971, logo após o lançamento do álbum Pendulum (do qual a música faz parte)

Ouvi essa música pela 1ª vez no início dos anos 90. Era uma fase de reflexão, estava mudando de curso e de faculdade. Lembro que a melodia tranquila e a simplicidade do que era cantado me ajudaram bastante a enfrentar aquele período conturbado. A música ficou na minha memória como um alento nos períodos complicados da vida. Como se alguém dissesse: “Não se preocupe demais, tudo passa”.

Dada a quantidade de versões cover feitas para essa música, pelo visto não fui o único a me sensibilizar com ela. ;)

Good vibrations” – Beach Boys

Uns dizem que o som da banda é datado (muito anos 60, ou muito anos 70, dependendo do álbum e/ou da fase), mas eu considero as músicas deles atemporais, por serem pra mim o sinônimo de praia. Sim, praia ensolarada, água agradável (ainda que eu não goste tanto assim de ondas quanto os surfistas), gente tranquila e relaxada. São efetivamente os precursores do que se convencionou chamar de surf music.

Essa música aqui por exemplo é uma ode ao alto astral. Uma música capaz de trazer um sorriso à alma mais carrancuda. Talvez por isso tenha sido o réquiem para o personagem Charlie (um músico), na série Lost.  Mas é por esse poder que essa musiquinha simples tem que eu a escuto quase como uma terapia, em determinados momentos.

Fake Plastic Trees” – Radiohead

Nessa aqui eu resisti muito pra não colocar “Fluorescent adolescent“, que vem a ser uma das minhas prediletas hoje em dia. No entanto, apesar de totalmente viciado nela, impliquei com o fato de eu achar a letra meio confusa. E com a letra F, de cara me vieram 2 outras músicas ótimas, todas com letras ótimas: a obra prima “Futuros amantes“, onde Chico Buarque mostra que faz rima até com a palavra escafandristas, e “Falsa consideração“, um samba bastante honesto de Jorge Aragão.

No entanto, na minha humilde opinião nenhuma destas chega aos pés desta preciosidade do Radiohead, do álbum ‘The Bends‘ (o segundo da banda). Foi um marco na história da banda, que daí em diante se especializou nessas canções lindamente melancólicas (que o diga o álbum ‘Ok computer‘ como um todo). Segundo consta, o vocalista Thom Yorke caiu em lágrimas após gravar os vocais da música, em apenas um take. Em outras palavras, não é uma música recomendada para suicidas em potencial.

A letra fala desse mundo falso e de aparência em que vivemos, das mulheres que apelam para a cirurgia “mas a gravidade sempre vence“. Um trecho em especial me toca bastante:

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love
But I can’t help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run

Ela parece perfeita até demais, plastificada, falsa (dá-lhe Photoshop!), que parece que vai sair voando como um balão se ele simplesmente a deixar de lado e sair.

Como toda música bem sucedida, vários artistas de renome fizeram versões cover dela, como KT Tunstall (que aliás é linda, com voz sobre piano), Alanis Morrisette (durante a turnê de Jagged-Little Pill) e Travis, entre outros. Muitas são fáceis de encontrar em ferramentas de P2P, como o Soulseek. Me disseram que existe uma versão cover feita pelo Marillion. Se alguem encontrar me avise :)

Electrolite” – R.E.M.

Essa demorou muito mais pra sair, pela quantidade de músicas sensacionais com a letra E. Isso não é desculpa, claro. Fim de ano, projetos precisando de um ponto final, estudos entrando em fase de avaliação, compromissos se acumulando, tudo contribuiu. Mas confesso que pesou também a dificuldade de me sentir confortável com uma música apenas.

Só pra citar algumas, fiquei bastante tentado a optar pelo lirismo melancólico de “Everybody hurts“(também do R.E.M.), com a adrenalina de “Eye of the Tiger” (da trilha sonora do filme Rocky III), muito importante na minha vida em determinado momento, ou com o tom confessional de “Eu sei“, do Legião Urbana. Correndo por fora, o lamento gostoso de “Eu só quero um xodó“, pérola de Dominguinhos que ganhou inúmeras regravações.

No final das contas, optei por essa música do R.E.M. que talvez não seja tão impactante com as demais, mas tem muito a ver comigo. Ritmo leve, alegre, descompromissado, e que foi parte importante de vários momentos da minha vida desde que conheci essa música ao ouvir o ‘New Adventures of Hi-Fi’ pela primeira vez, em 1997. Me traz uma sensação de novidade que eu não sei explicar. Como estamos prestes a entrar em novo ano, que este 2009 seja leve, alegre e descompromissado, tanto quanto o piano de Mike Mills nessa música.

The Dead Heart” – Midnight Oil

Uma das grandes músicas do Midnight Oil, e uma das grandes representantes do que se convencionou chamar de surf music dos anos 80. O Midnight Oil, além de um rock sem grandes firulas e bastante animado, é conhecido por suas letras politizadas. Foi uma das primeiras bandas a militar pela causa ecológica, e tem várias músicas que se baseiam na defesa dos aborígenes australianos e sua relação com o homem branco anglo saxão que lá chegou. Não obstante, a banda terminou por conta da intenção do vocalista Peter Garrett de se engajar mais na questão política, e hoje ele é o Ministro do Meio Ambiente no governo australiano.

A letra desta música é um grande exemplo desse engajamento político dos Oils. Mais que isso, é O exemplo, como podemos ver nessa estrofe e no refrão logo após:

We don’t serve your country
Don’t serve your king
White man listen to the songs we sing
White man came took everything

We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken

A melodia é agitada como a maioria das grandes músicas deles, composta por um arranjo de 2 ou 3 violões, não sei bem (o videoclipe sugere que são 3), calcado numa bateria rápida, de forma a parecer com o barulho de um Toyota Landcruiser Troop Carrier (comumente usado pelas comunidades aborígenes) viajando por uma estrada de terra. Vocal de Garrett com backing em algumas partes dos guitarristas Moginie e Rotsey. Obrigatória em coletâneas dos anos 80, de preferência nas mais praieiras.

‘Charles, anjo 45′ – Jorge Ben

Música composta pelo então Jorge Ben em seus áureos tempos, retrata uma figura folclórica dos morros cariocas. O Charles da música na verdade se chamava Avelino Capitani, e é um dos marinheiros que tentaram lutar contra o golpe de 64. No blog do Poti tem a versão completa da história do Robin Hood dos morros, e seu paradeiro atual (post excelente, por sinal).

Lançada no álbum “Jorge Ben“, de 1969 (que trás outras pérolas como ‘País Tropical‘, ‘Que Pena‘ e ‘Cadê Teresa‘), tem um suíngue muito gostoso e, dependendo da disposição do ouvinte, ótima pra dançar. Para mim, a melhor versão é a cantada por Caetano, com backing vocals de Gilberto Gil.

Boys don’t cry” – The Cure

Uma das músicas mais emblemáticas dos anos 80, e um dos grandes sucessos do The Cure. Presente em muitas festas de aniversário / casamento / etc naquelas sequências de flashbacks, é quase uma unanimidade para quem aprecia minimamente o pop rock internacional. Conduzida por uma guitarra simples mas eficiente, com o ritmo bem característico do flerte entre rock e new wave ocorrido na década de 80, apesar de ter sido lançada como single em agosto de 1979.

Na letra, um cara mostra seu arrependimento por ter vacilado com sua ex-namorada enquanto juntos, com um tom ligeiramente cafajeste. Na estrofe onde a música sai dos acordes normais, fica muito claro que ele enquanto a namorava não dava o menor valor por achar que o jogo estava ganho:

Misjudged your limits
Pushed you too far
Took you for granted
I thought that you needed me more

Ele sabe que errou, sente por isso, mas não admite abertamente pois sabe que ela não vai voltar se o fizer. Também não derrama lágrimas por perdê-la, porque afinal de contas “meninos não choram“.

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