Quem gosta do gênero muitas vezes pensa que o mesmo é marginalizado no gosto popular. Quando se vai numa loja mais ‘varejo‘ comprar CDs, muitas vezes eles ficam ali naquele canto obscuro, com poucos títulos e em meio a muitas porcarias baratas e de gosto duvidoso. No entanto, como entusiasta do estilo há bastante tempo, percebo aos poucos que esse cenário está mudando.
De início, vemos alguns expoentes do samba gravando algumas músicas clássicas dos imortais Pixinguinha, Waldir Azevedo e Jacob do Bandolim. Tudo bem, “Carinhoso” não sai de moda desde aquele comercial de Chambinho (o concorrente do Danoninho), veiculado nos anos 80. Mas Jorge Aragão, que é um cara bem conceituado entre os que gostam de samba, recentemente gravou um pout-pourri com Pedacinho do céu e Delicado, ambas de autoria do cavaquinista Waldir Azevedo. Esta última, inclusive, é tocada ao piano no filme ‘Diários de motocicleta‘, na cena de Ernesto Guevara e Alberto de la Serna na fazenda da namorada do Che logo no inicinho do filme (mas aí é coisa de aficcionado, que repara essas coisas e guarda pra contar pros outros).
De uns tempos pra cá, tenho visto cada vez mais grupos de choro se apresentando nos bares, com instrumentistas de qualidade. Isso sem falar no famoso ‘Choro na feira’, grupo de chorinho que se reúne todos os sábados junto a feira livre da Rua General Glicério, em Laranjeiras, e que conta com público cativo cada vez maior. Esse incremento de público interessado é realmente animador, mas ainda é cedo para comemorar. Não há ainda uma boa visibilidade para os novos talentos, mas espero que o chorinho conquiste espaço cativo junto ao público, tal qual o samba vem conseguindo nos últimos anos (vide a revitalização da Lapa como exemplo).


Recent Comments