November 2008

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Alguns começariam essa lista falando de estilos musicais. No entanto, é cada vez mais difícil de se definir determinados estilos e colocar os devidos rótulos. Me parece mais lógico entender a existência de grandes estilos musicais (como o pop e o rock), que ao longo da história apresentaram variações de acordo com o contexto histórico. A estas variações estou dando o nome de movimentos musicais, embora alguns compliquem a história e chamem de sub-gênero, por exemplo.

Dito isso, eis a lista:

  1. Britpop: rock pop com toques de melancolia, inspirado em bandas britânicas dos anos 60 e 70 (Kinks, Beatles, Clash, etc), mas com forte influência do The Smiths. Surgiu em Manchester (Inglaterra) no início dos anos 90 e se popularizou mundialmente com Blur e principalmente Oasis
  2. Tropicália: movimento que engloba a cultura brasileira como um todo durante o jugo da ditadura militar (década de 70), mas que teve na música o seu grande fato gerador. Os festivais de música promovidos pela Rede Globo nos anos 70 são considerados como o início do movimento, em especial a apresentação de “Alegria, alegria” por Caetano Veloso e “Domingo no parque”, por Gilberto Gil e Os Mutantes
  3. BRock: na verdade, é o resgate da cena rock nacional pós ditadura militar. Na primeira metade da década de 80 (especialmente no ano de 1985), ocorreu o surgimento de uma infinidade de bandas de rock brasileiras, com forte repercussão nas rádios. Algumas bandas só se mantiveram durante o hype, e hoje sobrevivem de festas saudosistas (como a Festa Ploc), enquanto outras se consolidaram definitivamente no cenário musical brasileiro, como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Ira!, Barão Vermelho, Lulu Santos, Lobão, entre outros
  4. Bossa nova: movimento nacional surgido no final da década de 50, onde um grupo de artistas de origem universitária se reunia para ouvir e fazer música, e desenvolveu uma nova forma de tocar música. A esta nova forma foi dado o nome de Bossa Nova, com influências do samba de breque e do jazz americano feito no pós-guerra. Principais artistas: Tom Jobim, João Gilberto, Nara Leão, Vinícius de Morais, Marcos Valle, Roberto Menescal, entre outros.
  5. Grunge: movimento musical surgido em Seattle (EUA) na década de 90. Basicamente rock alternativo com fortes influências do heavy metal e do punk rock do final da década de 80. Tem como característica um som ’sujo’, com vocais arrastados e guitarras distorcidas. Principais artistas: Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden, além de outros de fora de Seattle, como Stone Temple Pilots e Smashing Pumpkins.

The Dead Heart” – Midnight Oil

Uma das grandes músicas do Midnight Oil, e uma das grandes representantes do que se convencionou chamar de surf music dos anos 80. O Midnight Oil, além de um rock sem grandes firulas e bastante animado, é conhecido por suas letras politizadas. Foi uma das primeiras bandas a militar pela causa ecológica, e tem várias músicas que se baseiam na defesa dos aborígenes australianos e sua relação com o homem branco anglo saxão que lá chegou. Não obstante, a banda terminou por conta da intenção do vocalista Peter Garrett de se engajar mais na questão política, e hoje ele é o Ministro do Meio Ambiente no governo australiano.

A letra desta música é um grande exemplo desse engajamento político dos Oils. Mais que isso, é O exemplo, como podemos ver nessa estrofe e no refrão logo após:

We don’t serve your country
Don’t serve your king
White man listen to the songs we sing
White man came took everything

We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken

A melodia é agitada como a maioria das grandes músicas deles, composta por um arranjo de 2 ou 3 violões, não sei bem (o videoclipe sugere que são 3), calcado numa bateria rápida, de forma a parecer com o barulho de um Toyota Landcruiser Troop Carrier (comumente usado pelas comunidades aborígenes) viajando por uma estrada de terra. Vocal de Garrett com backing em algumas partes dos guitarristas Moginie e Rotsey. Obrigatória em coletâneas dos anos 80, de preferência nas mais praieiras.

Impecável

Lá fui no fim de semana ter um reencontro com o R.E.M., uma das minhas bandas prediletas. Só não digo que é A por causa de dois punhados de britânicos (Beatles e U2) pelos quais tenho um apreço imenso. Para todos esses, eu pagaria o dinheiro que fosse pra ir em um show. E foi o que fiz sábado passado, no HSBC Arena: morri numa boa grana para ir na Pista VIP

Em relação ao lugar, só tenho a reclamar do som. Do lado esquerdo do palco, o baixo sumia, e no lado direito o som parecia chapado (ou 2D, sei lá). Mas aí eu acho que é mais uma questão do engenheiro de som do que do lugar. Afinal de contas, o HSBC Arena não me pareceu ser a caixa de eco que era o Maracanãzinho. A entrada de carros foi um ponto forte. Super bem organizada, com vários profissionais orientando os carros ao chegar, e MUITO espaço dentro das dependências da Arena para estacionar. O preço para estacionar não é barato (15 reais), mas sai mais em conta do que pagar um táxi até lá, mesmo no meu caso (moro relativamente perto).

Antes da banda, rolou show de abertura do ex-Barão Vermelho Fernando Magalhães, que eu acabei não assistindo. Bares tranquilos, bebidas por um preço honesto: mais caro que lá fora, mas nada exorbitante. Fiquei no bar bebendo uma cervejinha e batendo papo com o Surfista. Gente finíssima, tal qual sugere seus ótimos textos. Infelizmente não tivemos a presença do herói de Etérnia, mas como é um cara bastante ocupado, a gente relevou.

Algum tempo depois do horário previsto, a banda americana entra em palco esbanjando vitalidade e entrosamento com uma faixa do Accelerate chamada ‘Living well is the best revenge‘. Confesso que ouvi bem pouco esse último álbum, pois ainda não tinha mergulhado nele de jeito. Com o show tudo fez sentido pra mim: músicas alegres, agitadas, mas não por isso menos melódicas. Em algumas músicas, como a ‘Supernatural Superserious’ (tocada mais para o final do show), me soa bem de longe uns ecos da surf music australiana dos anos 80 e 90. O que achei de mais interessante no show foi terem feito muito bem a mescla de músicas antigas com músicas novas, e mais que isso: usaram algumas músicas pouco trabalhadas dos discos antigos, que inclusive alguns fãs não conheciam. Logo na 2ª música, tocam uma ótima do Life’s Rich Pageant (‘These Days‘) e mais adiante um sucesso antigo que eu adoro: ‘Driver 8‘. Mais adiante, escolhem justamente uma das músicas que menos ouço no Automatic for the People: ‘Ignoreland‘. Mas qual o padrão para essas escolhas? Simples: músicas alegres e vibrantes, tal qual boa parte desse álbum de trabalho, e tal qual o espírito da banda com a eleição recente de Barack Obama para presidente dos EUA.

Mais adiante, outra surpresa: ‘Exhuming McCarthy‘, do mesmo disco das badaladas ‘The One I Love‘ (que também tocaram), ‘Finest Worksong‘ (tocada em 2001) e a espetacular ‘It’s the end of the world as we know it (and I feel fine)‘, que fechou a primeira parte do show. Pra mim, uma grata surpresa (é uma das que mais gosto do Document), mas muita gente ali não conhecia e pensou se tratar de uma música do disco novo. Na parte mais introspectiva, não faltaram as obrigatórias ‘Everybody hurts‘ e ‘The Great Beyond‘, e entraram para o time as excelentes ‘Sweetness follows‘ e ‘Nightswimming‘, ambas do Automatic. Também cairiam bem aqui ‘Daysleeper‘ e ‘I’ll take the rain‘, procurando não repetir a ótima ‘At my most beautiful‘, tocada no show de 2001. No bis, obviamente não faltaram a mais conhecida pelo grande público (‘Losing my Religion‘) e a grande música alegrinha do Automatic, ‘Man on the Moon‘.

No mais, além daquelas tentativas básicas de simpatizar com o público local, como um ou outro ‘obrigado’, bandeira do Brasil, we love you Rio, etc; rolaram algumas gracinhas no telão (como a imagem de um papel pedindo para o público gritar mais alto, pedindo o bis), e palmas e gestos feitos por Stipe e Mills pedindo que o público os imitasse. Um show e tanto, que no meu ranking só não barrou o de 2001 por uma questão de repertório. Se tocasse ‘Electrolite‘, seria pelo menos empate. Espero que voltem mais vezes pro lado de cá da linha do equador, agora que sabem mesmo o caminho.

‘Charles, anjo 45′ – Jorge Ben

Música composta pelo então Jorge Ben em seus áureos tempos, retrata uma figura folclórica dos morros cariocas. O Charles da música na verdade se chamava Avelino Capitani, e é um dos marinheiros que tentaram lutar contra o golpe de 64. No blog do Poti tem a versão completa da história do Robin Hood dos morros, e seu paradeiro atual (post excelente, por sinal).

Lançada no álbum “Jorge Ben“, de 1969 (que trás outras pérolas como ‘País Tropical‘, ‘Que Pena‘ e ‘Cadê Teresa‘), tem um suíngue muito gostoso e, dependendo da disposição do ouvinte, ótima pra dançar. Para mim, a melhor versão é a cantada por Caetano, com backing vocals de Gilberto Gil.

Muitos associam o carnaval do Rio de Janeiro ao desfile das escolas de samba, pura e simplesmente. Um grande show de cores e música, sem dúvida, mas há tempos que o carnaval do Rio não vive só do Sambódromo, na Marquês de Sapucaí. De uns 10 anos pra cá, vem ressurgindo na cidade o carnaval de rua, tradicional em décadas passadas, mas que foi quase extinto nos anos 80 e 90. Por algum tempo, já na década de 90, o Rio era o refúgio de gringos, apaixonados pelas escolas de samba e pessoas interessadas em praias tranquilas e cinemas vazios.

Blocos tradicionais, como Suvaco de Cristo, Banda de Ipanema e Cordão do Bola Preta, se mantinham por uma questão de tradição e pouca opção de lazer gratuito durante a folia, já que desde 1985 o desfile das escolas de samba fora transferido para o Sambódromo, passando a ser (muito bem) pago. Em paralelo, o samba aos poucos deixava de ter o mesmo apreço do público, seduzido pela novidade do axé e do funk.

No final da década de 90, o carnaval baiano chegou a preços estratosféricos, fazendo com que a classe média buscasse outras alternativas. Com isso, um número maior de pessoas buscou destinos mais atrativos (em especial Olinda e Ouro Preto). O pessoal do Rio, que costumava se espalhar pelo país, começa a desistir de viajar. Nesse cenário, o carioca redescobre os blocos. Os desfiles do Simpatia, da Banda de Ipanema e do Suvaco passam a contar com esquema especial em virtude da quantidade de foliões, mas ainda acontecem fora da semana carnavalesca. Não só redescobre: o carioca os reinventa. Surgem nessa época o Bangalafumenga, fundado pelo poeta Chacal, e pouco depois o Monobloco, fundado pelo Pedro Luís (da banda Pedro Luís e a Parede). No início deste século, o carnaval de rua vai ganhando força associando outros ritmos brasileiros (afoxé, coco, ciranda, maracatu) ao velho formato de blocos de rua, calcado no samba.

Ultimamente, muita gente aposentou os abadás para entrar de sola no carnaval de rua carioca. O número estimado de foliões dos blocos mais famosos chega à casa dos 500mil. Alguns deles não divulgam o horário do desfile, para minimizar o tumulto. Outros, geram blocos dissidentes, tão bons ou melhores que os originais. Já podemos ver apresentações destes grupos ao longo de todo o ano, nas melhores casas de shows da cidade. Os mais ligados à música podem inclusive se inscrever nas oficinas de percussão de alguns desses blocos e se preparar para ser mais do que um folião no carnaval. E eu, claro, não podia deixar essa passar. :D

Escolhi o Banga, bloco que me encantou desde o 1º ensaio que fui, em janeiro de 2006. O repertório continua excelente, com mescla de composições próprias e versões para músicas consagradas (de gente boa do naipe de Lenine, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Paralamas, Gilberto Gil) tocadas com ritmos brasileiros de origem afro. Felizmente, as oficinas de percussão estão se multiplicando pela cidade, para todos os gostos e bolsos. Além do Banga, um bom ponto de partida é a Rio Maracatu. O importante é começar, pois não há nada melhor para quem curte carnaval ser um dos protagonistas da folia.

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