Todos temos aquelas músicas que nos lembram momentos que parecem emoldurados na memória. Bom, pelo menos as pessoas que tem forte relação com a música, e associam esses momentos a passagens da vida. Eis aqui a minha lista de músicas que marcaram momentos bem fortes, aqueles marcados em nossa memória, onde o tempo parece não passar (para o bem ou para o mal):
- “Take the long way home” – Supertramp: Um dia especialmente cinzento. Aquele que deveria te acompanhar por boa parte da sua vida, dar conselhos, dar sermões, se vai. Prematuramente. Repentinamente. Cemitério cinzento, olhos que teimam em não acreditar no que vêem. Casa parece não existir. Se existir, deve ser um lugar muito distante. A gaita introdutória então faz todo o sentido.
- “Porcelain” – Moby: Tarde ensolarada, indo a um encontro promissor. Ela se aproxima. Suas roupas parecem pedir licença para tocar sua pele. Seus óculos escuros emprestam curvas que harmonizam perfeitamente com seu rosto. A brisa me traz uma prévia de seu perfume. O contato entre as peles dispara uma faísca. Magnetismo, eu diria, se conseguisse discernir qualquer coisa diferente de “preciso ficar com essa mulher”. Na mente, a música que ela me apresentara dias antes. A música dizia um “So this is goodbye” absolutamente profético. Melhor não ter mesmo prestado atenção, ou perderia esse momento único.
- “Return to innocence” – Enigma: Acordo cedo, como em todas as manhãs de domingo daquele 1994. Vou ao treino, e volto buscando mais umas horas de sono. Acordo e me deparo com pessoas perplexas. Na tela, o maior ídolo esportivo brasileiro à beira da morte, nas ferragens de sua Williams. De repente, a vida me pareceu tão frágil, tão sem sentido. Como um herói nacional podia terminar daquela forma? Mudando de canal, um videoclipe de trás pra frente de um grupo de nome Enigma me pôs pra pensar, enquanto aquela música me trazia um conforto impensado…
- “Anunciação” – Alceu Valença (versão Bangalafumenga): Aquecimento para o carnaval, com a presença dos amigos mais queridos, aqueles que são irmãos que escolhemos. Mente vazia, depois de pôr pra fora todos os tombos passados. O corpo acompanha quase que involuntariamente os movimentos da bateria daquele bloco. A platéia parece envolvida num transe, estimulada pelo vai-vém lateral dos tamborins e agogôs. Começa uma música desconhecida, que, num súbito, é interrompida por um riff de guitarra absolutamente familiar. Corre o característico arrepio na espinha. Dias melhores a caminho, ali escutamos os teus sinais.
- “Detalhes” – Roberto Carlos: Uma longa relação que chega ao fim. Por mais que tenha se investido esforço e sentimento, em certos momentos é hora de reconhecer a hora de pegar o chapéu e seguir adiante. Parece fácil falando assim. Melhor dizendo, nem assim. Por maiores que sejam as certezas, nos sentimos paralisados, incapazes de dar aquele primeiro passo na direção contrária. O sentimento de que todo aquele investimento emocional está descendo pelo ralo é inevitável. Nessas situações não existem culpados, somente personagens de uma história que parece já ter sido escrita. Mas um certo cantor capixaba, comumente chamado de Rei, parece ter conseguido escrever o alento necessário, as palavras que jamais conseguiríamos proferir. A idéia de que a história desses dois personagens será eternizada, ainda que em detalhes que vão sumir na longa estrada…


Recent Comments