Achava que só mesmo largado em casa num dia de chuva (seja de férias, seja no fim de semana) para ter a idéia de uma lista dessas. Mas depois que montei todo um playlist no iPod para ouvir deitado na rede olhando para o nada, percebi que essas músicas são muito mais presentes que pensamos nas listinhas que fazemos todos os dias.
Aqui vão minhas 5 principais:
5. “Construção” – Chico Buarque: além da curiosidade de terminar todos os versos com palavras proparoxítonas (quase todos, pois no trechinho final ele passa a brincar com verbos de 3ª conjugação), essa aqui me transporta diretamente para os almoços que meu pai fazia na minha infância em tardes nubladas e chuvosas, onde eu ficava no sofá imaginando aquela história contada pelo Chico se materializando.
4. “Rocket” – Smashing Pumpkins: essa estava esquecida no meio de uma penca de músicas anos 90 de um playlist velho que eu tenho, e só mesmo o shuffle para desenterrá-la pra mim. Remete aos tempos de faculdade, época em que eu descobri muita coisa boa de música que ouço até hoje. Na época eu era mais viciado na “Today“, do mesmo álbum.
3. “O tempo não vai passar” – Blitz: desde moleque que eu gosto de ouvir essa música pra pensar na vida. Nem lembro se chegou a tocar em rádio (acho que não), mas lembro dela num especial altamente viajandão (no estilo Armação Ilimitada) que a banda fez na TV Globo.
2. “Trilhos Urbanos” – Bangalafumenga: fiquei fascinado com essa música desde a primeira vez que a ouvi (e toquei), num ensaio do bloco. Eu achava que era mérito pura e simplesmente da levada de jongo que o Rodrigo Maranhão usou nessa versão, mas depois de ouvir outros jongos bem legais vi que o arranjo como um todo é que dá o brilho a essa música. A bateria começa ao processo hipnótico que leva a divagação, mas a flauta transversa entre as estrofes faz toda a diferença. Muito mais do que os assovios da versão original do Caetano.
1. “One” – Metallica: outra música ressuscitada pelo shuffle do iPod, e numa época em que estou redescobrindo músicas de metal que eu me amarrava há alguns anos (mérito do show do Iron Maiden, que me fez perder a implicância com o estilo que criei de uns tempos pra cá). Letra e melodia me parecem simplesmente perfeitas ao narrar os pensamentos de um soldado que perdeu os sentidos e a mobilidade (braços e pernas), tornando-se prisioneiro do próprio corpo, baseado no livro ‘Johnny vai à guerra‘, de Dalton Trumbo. Agora mesmo quando paro sem música alguma a pensar em alguma coisa, vem à minha mente os solos de guitarra dessa música
Menção honrosa:
“No surprises” – Radiohead (ouço pacas também, mas troquei essa pela da Blitz, pra lista não ficar deprê demais)

Agora em março tivemos várias visitas ilustres. No dia 13, o Keane se apresentou novamente no Citibank Hall após quase 2 anos, com a turnê do álbum Perfect Symmetry. Pra mim foi incrível: conseguiram fazer um show ainda melhor do que o de 2007, pela turnê do álbum ‘Under the Iron Sea‘. Conhecia pouco do Perfect Symmetry, e nada melhor do que conhecer as suas músicas ao vivo de uma banda que eu sei que manda bem melhor nos shows do que em estúdio. Mas pra mim o destaque foi para a versão voz e violão que Tom Chaplin fez para The Frog Prince, do álbum anterior. Excelente!
No dia seguinte, foi a vez dos veteranos do Iron Maiden enlouquecerem seus fãs fiéis de várias gerações no palco montado na Apoteose. Dessa vez, fiz questão de estar presente pra conferir a performance deles ao vivo. Não sou um típico fã de metal, mas gostava muito quando era mais novo. No entanto, gosto bastante de ver os shows pela performance dos músicos, mesmo quando não conheço o repertório. Pra mim, bandas de metal das boas levam muito em consideração o show como um todo (e não só a música), então acabo seguindo meus amigos que realmente entendem do estilo e não tenho me arrependido. E no show do Iron então, nem se fala! Um SENHOR show de rock, uma grande demonstração de vitalidade e competência dos coroas ingleses. Agora entendo um pouco como eles geram essa paixão tão grande junto a seus fãs.
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