Verão é mais do que uma estação do ano, é uma filosofia de vida. No meu caso, basta começar a chegar o calor pra eu mudar sensivelmente minhas seleções musicais. E pra mim, esse calor chama carnaval.

Mesmo antes de eu ter um envolvimento mais sério com a música, sempre que o verão se aproximava, meus playlists ficavam mais animadinhos. Para as corridas, pedaladas, ou simplesmente para ir pra eventos sociais, sempre me motivei a base de música. E sempre gostei muito dessa mudança que a primavera e depois o verão impõem às pessoas, muitas vezes sem elas se darem conta.
Só que por conta dos ensaios no bangalafumenga e da convivência com tantos feras da música com boas coisas pra indicar, meu repertório está ficando cada vez mais brasileiro e mais ligado ao carnaval. Em outros tempos, esta seria a época de ouvir novas músicas dançantes, independente da procedência (muitas vezes alternativas, mas também alguma coisa de pop). Vez ou outra, um hit de rádio, daqueles que grudam na cabeça de qualquer pessoa que vive em uma cidade minimamente civilizada. Ou talvez buscar aquela música da década de 80 que todo mundo dançava mas ninguém mais lembra.
No entanto, de dois anos pra cá esse espaço foi sendo cada vez mais ocupado pelo espírito do carnaval brasileiro. Indo além do passado micareteiro, comecei a beber nas raízes nordestinas. E no ‘Grande Encontro‘ (Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença), achei muita coisa boa. Voltando ao passado, achei muita coisa boa de Gil, Caetano, além dos Novos Baianos e do A Cor do Som. Com os ensaios do banga e as dicas dos amigos do bloco, conheci ótimas músicas de vários ritmos, alguns que eu sequer conhecia: samba, ijexá, coco, ciranda e maracatu.
E no aquecimento para o carnaval de 2010, já comecei minha listinha. Algumas dessas eu já estou escutando direto no carro, nos meus longos trajetos pela cidade:
- “Reis da bola” – Novos Baianos
- “O sol nascerá” – Cartola
- “Zumbi” – Jorge Ben (veeelha, muito antes de virar Benjor)
- “Pelas ruas que andei” – Alceu Valença
- “Compay Segundo” – Naurêa
- “Filhos de Ghandi” – Mart’nália (regravando Clara Nunes)
- “Flores da favela” – Jauperi
Ah, sim: “Estação da Luz“, cujo verso inicial batiza este post, é presença garantida na lista!


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