Uma coisa que eu sempre falo com os twitterunners é que, basicamente, as músicas que eu escuto determinam meu ritmo nas minhas corridas. Isso não quer dizer que eu não corra sem música: nas vezes que eu esqueço o MP3 Player, eu mentalizo alguma (ou algumas) música(s) e sigo. Ou seja, eu praticamente enjoei de ouvir “Clarity of Mind” (V Spy V Spy) nas vezes que subi a Mesa do Imperador sem Mp3 Player
Desde que comecei a levar essas corridas de rua mais a sério, comecei a prestar mais atenção na influência das minhas playlists nas minhas corridas. Um exemplo: foi na Adidas Primavera do ano passado que aprendi a não acionar shuffle numa playlist muito variada. Resultado: uma das minhas músicas prediletas para sprint final (“Not my slave“, do Oingo Boingo) tocou no km 3, eu me empolguei, e quando chegou o final faltou gás. Desde então, faço sets mais homogêneos.
Nessa Meia Maratona de ontem, eu resolvi arriscar. Aproveitei que fiz uma seleção de músicas dos anos 80, 90 e algumas atuais pra uma amiga, juntei mais algumas músicas que gosto e daí saiu meu playlist. Estava relativamente variado, mas resolvi dessa vez arriscar o shuffle de novo. Mas dessa vez, o shuffle me deu alguns belos presentes:
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Na tensão da largada, que misturava a ansiedade pela prova com o frio de 18°C com chuva fina, de cara a minha predileta do Iron Maiden: “Rime of the ancient mariner“. As levadas de guitarra ritmadas me ajudaram a manter o foco nas passadas e não me empolgar demais, enquanto seguia todo o pelotão em direção ao Túnel do Joá.
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Na saída da 1ª galeria do túnel, uma das músicas-símbolo da corrida de rua: “Eye of the Tiger“, do Survivor, que foi trilha sonora para os treinos de Rocky Balboa nas ruas da Filadélfia. Um claro aviso de que a batalha apenas começava
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Na praia de São Conrado, ao me aproximar da Niemeyer, uma das minhas músicas prediletas ever: “Postcards from Italy“, do Beirut. Me trouxe a tranquilidade suficiente para não desesperar na subida da Niemeyer (que nem é grande coisa, mas temia que esse desgaste pesasse mais no fim da prova). Meus sinceros agradecimentos ao ukulele de Zach Condon.
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No meio da subida da Niemeyer, quando a pista afunila e te induz a seguir o mesmo ritmo de alguns mais lentos à sua frente, o Queen manda um recado: “Don’t stop me now“. E com isso, fiz algumas ultrapassagens correndo no sentido contrário dos carros.
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No início do Leblon, me aproximava dos 10km. Na cabeça, fazia as contas de que estava mais ou menos na metade, e pensava se aguentava ou não. Então começa a tocar “Ultraviolet (light mt way)” do U2, e todas as minhas dúvidas se vão: eu tinha tudo pra aguentar.
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Passando pelo Arpoador, “Santa Clara clareou” (Jorge Ben) chega junto com os primeiros raios solares diretos, após mais de 1h correndo sob as nuvens pesadas.
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Em Copa, o cansaço e as dores começam a se multiplicar. Parece que Chico Buarque lê pensamentos e sussurra: “Vai passar” (embora o resto da música não tenha muito a ver).
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Saindo do Túnel Novo, faltando menos de 3km e me dosando pra sustentar o ritmo até o fim, meus lamentos se transformam no refrão dos Pet Shop Boys: “What have I done to deserve this?“.
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Na reta final, stands se multiplicando à beira da pista, minhas passadas acompanham a bateria frenética de Matt Sorum e a guitarra base de Izzy Stradlin no hit “You could be mine”, do Guns ‘n Roses.
Dessa vez o shuffle foi meu amigo, mas não sei se confiarei tanto nele na próxima. Veremos…


2 comments
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July 19, 2010 at 5:58 pm
Pingback from Superação | Vida de Navegante
August 24, 2010 at 3:44 pm
Camila
Adorei a descrição de cada passada… não sei como se lembra de todas as músicas e dos momentos que elas tocaram…. tenho memória de peixe dourado, só dura 3 seg… rsrsrs
mas pra mim, música e corrida são como arroz e feijão.
Muito bom o post e as músicas, claro!
Ano que vem quero estar lá, correndo também… vamos comparar nossas playlists… mas shuffle? Never!
beijocas